A importância do Ciclo Operacional como índice de desempenho operacional

Falar que o Ciclo Operacional tem uma importância vital dentro de uma empresa acaba sendo repetitivo para um empreendedor.

Afinal, o objetivo central de toda empresa é ser capaz de dar retorno sobre o capital investido nela. Até que se chegue a esse objetivo, é necessário acompanhar uma série de indicadores do negócio.

Mas como chegar ao lucro se a empresa não tem um desempenho operacional satisfatório?

Simplesmente, isso não é possível!

Por esse motivo deve-se ficar atendo ao ciclo operacional da empresa.

O que é o Ciclo Operacional?

O ciclo operacional de uma empresa, em suma, é o ato de medir o período médio necessário para transformar os estoques da empresa em dinheiro.

Esse processo de produzir ou comprar estoques, vender produtos acabados, receber dinheiro de clientes e usar esse dinheiro para comprar ou produzir estoques novamente é um ciclo contínuo, desde que a empresa permaneça em operação.

Se você trabalha na área financeira precisa saber que o ciclo operacional não é somente uma fórmula.

O principal é saber quais ações tomar diante do cenário apresentado pelo cálculo.

Este ciclo fornece uma visão sobre a eficiência operacional da empresa. E isso é útil para estimar a necessidade de capital de giro para manter ou aumentar as operações de uma organização.

Ciclos de caixa mais curtos indicam que a empresa recupera seus investimentos mais rapidamente e, portanto, tem menos caixa atrelado ao capital de giro.

No entanto, o Ciclo Operacional varia entre os setores, às vezes se estendendo por mais de um ano para alguns setores, por exemplo, empresas de construção naval.

Fórmula do Ciclo Operacional

A fórmula para o cálculo do ciclo operacional é a seguinte:

Ciclo Operacional = Ciclo Econômico + Prazo Médio Recebimento

Ciclo Econômico = Prazo Médio Estocagem

Ciclo Financeiro ou Ciclo de caixa = Ciclo Operacional – Prazo Médio Pagamentos

Para melhor entendimento vamos explicar de maneira mais aprofundada cada um dos componentes da fórmula:

Prazo Médio de Recebimento

É o número médio de dias que uma empresa leva para receber o dinheiro de suas vendas a crédito. Ele dá uma indicação da eficiência do departamento de cobrança e do poder de barganha do vendedor.

Enquanto um PMR menor aumenta o fluxo de caixa e a liquidez, um PMR mais alto pode indicar termos de crédito menos agressivos para impulsionar as vendas, mas pode correr o risco de maiores dívidas incobráveis.

Você pode levantar a média dos recebimentos usando números de vendas líquidas e contas a receber e com a seguinte sequência de etapas:

1) Divida as vendas líquidas (disponíveis na demonstração de resultados de uma empresa) por 365 para determinar um valor líquido de vendas por dia.

2) Calcule o valor médio de contas a receber adicionando o montante inicial (ou final do ano anterior) do ano e o valor final das contas a receber e, em seguida, divida por 2 para obter a média ao longo do período em questão.

3) Divida o valor médio de contas a receber pelo valor líquido de vendas por dia.

Em suma:

PMR = Total pendente a receber no período / (Total vendido/ 365)

Prazo Médio de Pagamento (PMP)

É o número médio de dias que uma empresa leva para pagar suas faturas dos credores comerciais. O PMP dá uma indicação da eficiência na gestão do fluxo de caixa de uma empresa.

Embora períodos de pagamento mais longos deixem um fluxo de caixa livre mais alto na empresa, as condições futuras de crédito podem ser menos favoráveis ​​para a empresa e os descontos para pagamentos pontuais podem não estar disponíveis.

Se o PMP de uma empresa for inferior ao benchmark do setor, isso indicaria que a empresa não está usando seu caixa de forma tão eficiente quanto seus concorrentes.

Para o cálculo você precisará dos valores de custo de vendas e contas a pagar da empresa e do período em questão. Use as etapas a seguir para calcular:

1) Divida o custo de vendas (disponível na demonstração de resultados) por 365 para determinar um valor de custo de vendas por dia.

2) Calcule o valor médio de contas a pagar adicionando o valor inicial do ano (ou do final do ano anterior) e o valor final das contas a pagar e, em seguida, divida por 2 para determinar a média.

3) Divida o número médio de contas a pagar pelo valor do custo de vendas por dia.

Em suma:

PMP = Total pendente a pagar no período / (Total custo de vendas/ 365)

Prazo Médio de Estocagem

É o número médio de dias necessários para a empresa converter seu estoque em vendas. Um PME menor fala do uso eficiente do inventário, uma vez que significa menor período de permanência e pouca chance do estoque se tornar obsoleto.

As empresas automobilísticas geralmente mantêm o sistema de produção Just-in-Time (JIT), mantendo níveis mínimos de estoque e, assim, diminuindo o PME. No entanto, algumas empresas podem optar por um PME mais alto para atender os pedidos dos clientes em um tempo menor e, assim, manter um nicho competitivo.

O prazo médio de estocagem é representado pela seguinte fórmula:

PME = 365 / Rotatividade de estoque

Onde, Rotatividade de estoque = Custo Anual de Mercadorias Vendidas / Custo Médio de Estoque

E custo médio de estoque = (início do estoque do ano + estoque no final do ano) / 2

O valor médio é tomado para todos os itens do balanço patrimonial durante o cálculo deste ciclo para manter a consistência entre o numerador e o denominador, que têm tanto a demonstração de resultados como os itens do balanço.

O PME pode ser dividido em período de retenção de matéria-prima, período de trabalho em processo e período de retenção de mercadoria acabada.

  • Período de Retenção de Matéria Prima = 365 * (Estoque Médio de Matéria Prima) / (Consumo anual de matéria prima)
  • Período de Trabalho em Processo = 365 * (Estoque médio de material em processo) / (Custo anual de produtos vendidos)
  • Período de manutenção de produtos acabados = 365 * (estoque médio de produtos acabados) / (custo anual dos produtos vendidos)

Ciclo Financeiro (ou Ciclo de Caixa)

O ciclo de caixa é uma das várias medidas de eficácia da gestão. Ele mede a rapidez com que uma empresa pode converter dinheiro em caixa em mais dinheiro disponível.

Consegue-se apurar à medida que o caixa é convertido em estoque e contas a pagar, por meio de vendas e contas a receber, e depois volta para o caixa.

Geralmente, quanto menor esse número, melhor para a empresa. Embora deva ser combinado com outras métricas (como retorno sobre o patrimônio e retorno sobre ativos), o ciclo de caixa pode ser especialmente útil para comparar concorrentes próximos, porque a empresa com o ciclo de caixa mais baixo é geralmente aquela com melhor gerenciamento.

Como analisar o Ciclo Operacional

É comum expressar os três componentes principais do ciclo operacional (PME, PMR, PMP) em termos de rotatividade como fator de tempos (x).

Alguns analistas preferem o uso de dias reais, pois é mais literal e mais fácil de entender do ponto de vista conceitual.

Vamos comparar duas empresas hipotéticas com os seguintes números:

ÍndicesEmpresa AEmpresa B
PMR58 dias105 dias
PME280 dias294 dias
PMP63 dias145 dias
Ciclo Operacional275 dias254 dias

Em termos de cobrança de contas a receber, parece que a empresa A é significativamente mais eficiente operacionalmente do que a empresa B. O senso comum ditaria que quanto mais tempo uma empresa tiver dinheiro que permanece sem ser cobrado, maior o nível de risco que está assumindo.

A empresa B deixa de cobrar seus recebíveis de maneira mais eficiente? Ou talvez esteja tentando aumentar sua fatia de mercado, permitindo que seus clientes tenham condições de pagamento mais fáceis?

Essas duas empresas têm estoque de dias quase idênticos. Isso, então, é provavelmente um reflexo da indústria em questão, em vez de uma baixa eficiência. No entanto, para obter um cenário mais completa, seria útil comparar esses dois números de PME com os de outras empresas do mesmo setor.

Quando se trata de PMP, a empresa B tem uma grande vantagem. Está estendendo seus pagamentos a fornecedores muito além do que a empresa A é capaz de fazer. De certa forma, é mais eficiente usar o dinheiro de outras pessoas, mas a razão para isso não fica imediatamente clara a partir desses números. Um analista financeiro deve procurar saber o que isso significa para a reputação de crédito de cada uma dessas empresas e porque elas são diferentes.

Ciclo Operacional mais curto é melhor?

É fácil presumir que quanto menor é melhor quando se trata do ciclo de caixa da empresa ou de seu ciclo operacional. Isso é verdade no caso do primeiro, mas não necessariamente no segundo caso. Naturalmente, há muitas variáveis ​​associadas à administração de contas a receber, estoques e contas a pagar, e essas exigem muitas decisões por parte dos gerentes.

Por exemplo, prazos de pagamento curtos podem restringir as vendas. Níveis mínimos de estoque podem significar que uma empresa não é capaz de atender aos pedidos em tempo hábil, o que provavelmente significa que algumas vendas são perdidas.

O ciclo operacional é um indicador da eficiência na gestão. Quanto maior o ciclo de caixa de uma empresa, maior é o seu ciclo operacional na necessidade de capital de giro. Assim, com base na duração do ciclo de caixa, o ciclo operacional na necessidade de capital de giro é estimado pelas empresas e financiado por terceiros.

Redução no ciclo de caixa ajuda a liberar caixa, melhorando a rentabilidade. O ciclo de caixa pode ser encurtado pela extensão dos prazos de pagamento dos fornecedores, mantendo níveis ótimos de estoque, encurtando o fluxo de trabalho de produção, gerenciando o atendimento de pedidos e melhorando o processo de recebíveis.

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