Capital de Giro: tudo o que você sempre quis saber e não teve coragem de perguntar

giro empresarial

Administrar o capital de giro ainda é um dos principais desafios das empresas brasileiras.

Os motivos são diversos; falta de disciplina para formar uma reserva, planejamento para enfrentar sazonalidades, variações da economia, entre outros mais.

Vale destacar que não se trata de um desafio restrito a negócios em declínio. O crescimento de uma empresa quase sempre vem junto com um problema financeiro, em função das oscilações entre os prazos de pagamento e recebimento.

Entretanto, esses obstáculos podem ser facilmente enfrentados com algumas dicas de gestão financeira.

Veja abaixo tudo o que você precisa saber para administrar e equilibrar o capital de giro da sua empresa.

O que é capital de giro?

O capital de giro é o combustível que faz a empresa funcionar no dia a dia.  Basicamente é a reserva de dinheiro utilizada para custear a operação e honrar as obrigações financeiras.

É chamado dessa forma, pois é um recurso que fica girando no prazo entre pagamentos e recebimentos.

Costuma ser utilizado para:

    • pagamento de fornecedores
    • folha de pagamento
    • impostos
    • compra de matéria prima
    • ampliação de estoque
  • contas administrativas (água, luz, telefone)

Importância

O capital de giro é fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa, pois sem ele é impossível manter o funcionamento da operação.

Além de garantir que as contas sejam pagas em dia, a reserva pode resolver pequenos imprevistos sem ter utilizar recursos de terceiros ou até tirar dinheiro do próprio bolso.

Por isso, é muito importante verificar que o montante reservado está a um nível adequado. Isso pode ser um grande diferencial em períodos de baixa atividade econômica e mudanças repentinas no cenário.

Capital de Giro Líquido x Capital de Giro Próprio

Você pode se deparar com esses dois conceitos muito similares, mas que precisam ser esclarecidos.

O Capital de Giro Líquido (CGL) representa o montante necessário no curto prazo. Como é aplicado para pagar contas rotineiras, possui alta rotatividade e precisa estar facilmente disponível. Isto é, necessita ter liquidez. Portanto, essa reserva é formada pelo dinheiro depositado em caixa e em conta corrente.

Imóveis, máquinas e outros bens, fazem parte do patrimônio da empresa. Entretanto, esses recursos não compõem o CGL porque não podem ser transformados em dinheiro rapidamente.

Já o Capital de Giro Próprio (CGP) representa a capacidade que a empresa possui de custear a operação com recursos próprios. Isto é, sem a necessidade de recorrer a empréstimos ou investidores.

Nesse caso, todo o patrimônio é considerado para chegar no montante do CGP. Inclusive bens de difícil liquidez, como imóveis, investimentos e patentes. Isso é chamado de Ativo Permanente (AP).

Fluxo de Caixa x Capital de Giro

Esclarecer a diferença entre esses dois conceitos também é muito importante, pois são similares e podem ser utilizados erroneamente como sinônimos.

Conforme explicado anteriormente, o capital de giro é o montante necessário para manter a empresa funcionando e pagar as despesas no período em que as receitas não ingressaram.

Já o fluxo de caixa é o movimento de entrada e saída do dinheiro de uma empresa. Demonstra se o resultado financeiro da foi positivo ou negativo.

Portanto, os elementos registrados no fluxo de caixa são utilizados para alimentar e calcular o capital de giro.

Como calcular

Encontrar o equilíbrio e o valor ideal pode ser desafiador. Se falta capital de giro, significa que a empresa está com a saúde financeira comprometida. Se sobra, significa que não está investindo os seus recursos adequadamente e no futuro pode não colher frutos.

Por isso é muito importante calcular qual é o montante que a empresa precisa ter reservado e revisar essa previsão constantemente.

Capital de Giro Líquido

Para descobrir qual é o valor disponível no momento presente, basta calcular o Capital de Giro Líquido com uma fórmula simples.

CGL =  AC – PC

AC = Ativo Circulante

Soma de ativos que a empresa possuiu. Por exemplo; dinheiro em caixa, saldo em conta corrente, recebíveis, aplicações financeiras e estoque.

PC = Passivo Circulante

Soma de pagamentos que precisam ser realizados. Por exemplo; contas com fornecedores, empréstimos, salários, impostos, gastos administrativos e outros proventos.

Capital de Giro Próprio

Veja a fórmula para calcular a capacidade que a empresa possui de custear a operação com recursos próprios.

CGP = PL – (AP + RLP)

PL = Patrimônio Líquido

AP = Ativo Permanente

RLP = Ativo Realizável a Longo Prazo

Necessidade de Capital de Giro

Para entender de uma forma mais completa qual é a necessidade de capital de giro em um determinado período, você pode utilizar a seguinte fórmula:

NCG = CP – (CR + VE)

CP = Contas a Pagar

CR = Contas a Receber

VE = Valor em Estoque

Se preferir, você pode seguir os seguintes passos:

    1. Calcule o prazo médio de pagamento das contas. Por exemplo, algumas empresas combinam de pagar aos fornecedores uma primeira parcela à vista e a segunda com 30, 45 ou 60 dias. Verifique todos esses prazos e encontre uma média.
    1. Faça o mesmo para encontrar o prazo médio dos recebimentos. Dessa forma, você vai identificar o tempo ociosos entre o pagamento e recebimento. Isto é, qual é o intervalo de tempo em que a empresa possuiu despesas sem ter receitas.
    1. Na sequência, verifique qual é o custo fixo mensal para manter a empresa funcionando (aluguel, luz, água, internet)
    1. Depois faça uma estimativa do custo variável mensal que representa todas as despesas relacionadas com a produção e venda (matéria prima e impostos).
    1. Pegue os valores mensais e encontre a média diária.
    1. Multiplique o custo diário pelo prazo em que a empresa fica descoberta entre os recebimentos e pagamentos (passo 2).
    1. Calcule o valor de estoque mínimo necessário para fazer o negócio funcionar.
  1. Por fim, some o estoque mínimo com o valor calculado no passo 6.  Pronto, agora você sabe qual é a sua necessidade de capital de giro.

Como reverter a falta de capital de giro

Falta de capital de giro é um desafio comum para empresas iniciantes. Entretanto, também costuma acontecer com empresas experientes e consolidadas.

Pode ser por um simples descasamento de caixa, uma mudança repentina no cenário econômico, o surgimento de um novo cliente que demanda um aumento significativo na produção ou até um problema financeiro mais profundo.

Em qualquer um desses casos, a solução será recorrer a capital de terceiros. Podem ser investidores ou linhas de financiamento específicas para capital de giro.

Neste texto explicamos como funcionam as principais linhas de empréstimo para empresas.

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